mais uma página…

Num gesto banal, de entreter o tempo entre mãos, fui viajando e encontrei-te mais uma vez, para perceber o quanto errei contigo e o quanto não me percebeste. Consigo ser obcecada e obsessiva, atinjo limites do desespero, mas é preciso destacar que não o faço por mal. Sabendo, porém, da irracionalidade, deixo-me descontrolar. Depois olho, para ti, tento identificar a imagem de alguém conhecido um dia. Por mais voltas que dê, não consigo compreender o porquê de não ter digerido o momento, os momentos. Deveria ter vivido, vivi. E agora deveria ter esquecido. Não esqueci. Continua às voltas dentro da minha cabeça, pensamentos incessantes e constantes. Com o conhecimento do desfecho, deprimo, mergulho numa apatia parva. Pinto o quadro negro, porque a cor dos meus dias foi-se. Vitimizo-me. Talvez não saiba fazer outra coisa. Não é fácil mudar, e muito menos, em dias cinzentos, com o mundo a correr lá fora. Dia após dia, digo que estou farta, mas volto a ter necessidade de falar… Falar… como acho que ninguém tem de ouvir falar do mesmo, escrevo… para não me entregar à insanidade total. É lixado estar sempre centrada no mesmo tema, posso abstrair-me um bocado, mas volta… Voltas tu, como personificação da minha ambição. Continuo a ter necessidade de falar de ti, é certo, mas cada vez, com mais discernimento (acho eu!). Cada vez mais, com um sentimento longínquo e com a certeza que os momentos do passado não se devem repetir. Blá, blá, blá, falar é tão fácil!!!!
Assisto à vida, impávida e serena, talvez nem tanto, mas sim, observo.
Sinto-me em pleno sono profundo, sem nada para me incomodar…
Quando acordar… será a loucura de novo… ! loool