
Aniversários, celebrações, datas a reter na memória. Querem-se dias incomuns. E para isso, na rotina de cada um, surge o dia do seu aniversário. Deveria ser proíbido a pessoa ter de se sentir feliz por ser apenas esse dia e deveria ser ainda mais proibido a pessoa ser rotineira, e esperar que as pessoas próximas se lembrem delas. Será que as pessoas não conseguem perceber a importância que esse dia tem na vida de cada um? é um dia, é certo, tem 24 horas como qualquer outro, mas toda e qualquer tem um contexto em que se insere, o primeiro dos quais família de nascença, família criada por amigos e amores, contexto laboral eagora incluem-se também as redes sociais de amigos. Com isto, só não tem amigos quem não quer mesmo. Recentemente duas pessoas próximas de mim, fizeram-me aperceber (porque perceber, será coisa, que não dá para fazer) do facto das suas próprias famílias, de berço, não prestarem atenção ou simplesmente esquecer, esse dia em particular. Pergunto-me o que se passa no mundo, para situações destas acontecerem. Se isso acontece dentro do seio de uma família, unida por laços de consanguínidade, como podemos desejar que o mundo se una, como poderemos desejar que os valores de paz, de solidariedade, de amor sobrevivam? Não aceito simplesmente desculpas, sendo a falta de tempo, a mais ridícula de todas, mesmo. Não vou dizer, que nunca falhei uma data de aniversário de alguém meu amigo, e por isso, também assumo as culpas. Mas é simplesmente terrível. Se a pessoa nasceu no dia 3, porque é que há pessoas a pensar que é dia 4, ou dia 2? Dizer que é natural que isso às vezes aconteça, acaba por ser uma forma de desvalorizar, perante o outro, para este não se sentir tão mal. Mas bolas, o que se passa com as pessoas? A que estado de humanização chegámos? Foi para isto que tantas batalhas importantes se travaram e tanta gente morreu no passado, e no presente? Foi para isto, que celebramos 20 anos da Queda do Muro de Berlim, um símbolo importante de paz, de união entre os ideais? E como se derruba os muros da falta de memória para gravar a lembrança dos dias importantes para cada um de nós? Há uma grande falta de amor, em toda a gente… realmente é a essa conclusão triste que chego. As pessoas magoam-se constantemente por pequenos detalhes, é uma cara indisposta, é uma falta de diálogo oportuno, é um sacrifício que deixa se de fazer por se ser egoísta, é um estabelecer de limites que não se cumpre, é um silêncio, é um olhar duro e tenso, é a ausência de um sorriso, é um pensamento que conduz a acções impensáveis, é algo que não se diz,é uma bofetada que se dá, é uma bofetada que se recebe, é algo que se diz demais, é algo que se quer e não pode ser naquele momento, é uma incompreensão, é o gato que comeu a língua, é a língua que quer vaguear e não sabe onde… É tudo tão normal, é tudo tão natural que o mundo gira com uma anormalidade bestial. Os humanos estão cada vez mais bestas.
para a minha idílica personalidade.
Não é um gato que se apaixonou pelo rato, é mais um gato que quis ser importante para um semelhante seu. Julgou ver mais similitudes do que aquelas que quis, não quis acreditar no início, no que estava a sentir, mas plenitude de espírito, afigura-se como a melhor definição que sentia… Julgou que o seu semelhante seria suficiente para ser mais sábio, ser alguém no mundo dos adaptados. No entanto, e agora, após perceber o que estava escrito desde o início, consegue já pensar que traçou mal o caminho, o silêncio existente, as palavras mal ditas, mal interpretadas foram suficentes para rasgar o que se pensava ser bonito. Pensava que o sol se tinha instalado para permanecer, para dar luz ao dias frios… Agora, como em qualquer dia que escolha ao acaso, falta-lhe a alegria de beber as suas palavras marcantes, a alegria de alguém autêntico sorrir com algo seu. Só tem silêncio que grita mais alto que qualquer trovão em dia de tempestade. Só tem um grande nada.

